Como professora-educadora, recebi a notícia do massacre dos alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira de Realengo-RJ, com um profundo olhar de crítica: tudo está errado!
Primeiramente, alunos estudiosos, que lutavam para ter dias melhores, para dar continuidade aos estudos e futura profissão foram colocados em risco constantemente. Onde estavam os inspetores escolares? onde estavam os seguranças que, geralmente, ficam próximo dos porteiros? e o guardas municipais?
A educação neste país se resume a estrutura física, burocrática e política. Segurança? cadê a segurança?
Ao ver a reportagem sobre a desgraça que foi esse acontecimento, eis que me surge uma nova situação, uma nova indignação: a professora de sala.
Como pode um ser que jurou em sua formatura honrar seus conhecimentos, levar educação a quem precisa, zelar pela integridade dos que estão participando e atuando em seu círculo de relações de trabalho, se dar ao luxo de sair correndo e deixar seus queridos alunos a própria sorte diante de um esquizofrênico armado?
Impossível não sentir asco por um tipo de pessoa como essa.
Esta professora, assim como sua colega de profissão que estava na sala contígua em que 8 crianças perderam suas vidas foram, no mínimo, covardes e egoístas. Nunca entenderei como uma professora pode colocar sua vida em primeiro lugar em detrimento aos alunos que não tinham como esboçar, se quer, uma reação de contenção?
Tive vergonha alheia por ver que a sociedade compactua com situações desta magnitude ao ver uma pessoa dessas que, simplesmente, tira seu corpo fora justificando que procuraria por ajuda. Naquele momento ELA era a ajuda! estava nas mãos dela a salvação destas inocentes criaturinhas; ela era a autoridade maior e lúcida que estava naquela sala.
Não tenho o direito de julgar, porém, não tenho o dever de aceitar!
Enquanto em minha mente existir um pouco de sensatez, um punhado de solidariedade e um pingo de ousadia, repudiarei pessoas que possuem instinto de sobrevivência além do permitido. Minha total revolta se faz aqui ao sentir vergonha e desdém por pessoas que envergonham a classe dos professores e a classe feminina, na qual, a mulher se faz corajosa por ter em seu sangue o poder nato de proteção maternal e incondicional nunca se deixando abater pela irracionalidade.
Meu repúdio é presente no luto infindo de crianças que, com certeza, no futuro não se acovardariam perante situação parecida.
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